apresentação

A revista Forma-Mercadoria é um espaço de debate e de formação intelectual, cujo público são todos aqueles que não querem seguir a tutela das instituições burguesas, castradoras, chauvinistas, paternalistas e da falsa defesa da democracia. Abaixo a democracia capitalista. Essa Revista é direcionada para nós mesmos que somos professores, estudantes, pesquisadores, etc, nas diversas áreas do conhecimento. Nosso foco é unir a arma da crítica e a crítica das armas com a crítica reflexionadora sobre a produção simbólica e a arte contemporânea.

Nossa revolução pode ser tanto barulhenta como silenciosa, revolucionaremos pelas armas na militância de cada dia ou pela formação estética e conscientizadora das artes e produções simbólicas de nosso tempo. Estamos interessados em gente que quer apontar as insuficiências e as contradições da formação de um ambiente intelectual brasileiro que fuja tanto da produção acadêmica orientada pelos critérios quantificadores do modelo universitário produtivista quanto das frivolidades da produção intelectual vazia e renitente; esse é o primeiro passo para uma investigação de peso sobre a legitimidade de construção de um espaço alternativo e legítimo, onde se possa debater a produção simbólica de um ponto de vista legado pela crítica de Marx e levado adiante pela interpretação sempre atualizada das vias marxistas; crítica pautada em Marx e nos marxistas que tem como intuito apontar os elementos de intervenção efetiva nos processos patentes e latentes do Capitalismo na sociedade atual.

Forma-Mercadoria é crítica da produção artisticamente orientada pelo peso das ideologias contemporâneas. Pode-se dizer que um dos pressupostos da Revista é a compreensão de que a reflexão e a crítica da produção simbólica e das artes em geral fornecem a chave para se entender os processos sociais de seu tempo. Dito de outra maneira, acreditamos que a dimensão simbólica pode fornecer a chave para enunciação concreta da formação social e das contradições que lhe são estruturantes; outrossim, os processos inerentes à sociedade estão interiorizados nas artes e vice-versa e esses processos são antevistos e recorrentemente verificados pela análise da produção artística (simbólica) contemporânea.

Trata-se pois de acabar com a noção velha de autonomia da arte, que funciona, sem variação, como a imagem funebremente idolatrada nas religiões e parece habitar outra dimensão que não a do vivido! Se, de uma parte, a arte assim como seu produtor estão imersos nas relações sociais e materiais que constituem isso que chamamos de mundo, de outra parte, a arte consegue desidealizar o mundo quando o idealiza, apontando a ideologia no momento em que essa assume posição de verdade e reveste a realidade como a epiderme entranhada na carne. Realidade que para a ideologia, em seu processo de falsificação, não tem contradição, mas que para a arte é elemento inseparável e inerente do processo vivido. A falsificação ideológica se dá hoje como acomodamento psíquico irrisório e atua no sentido do cinismo generalizado como resultado da imposição de regras sociais na inexorável marcha capitalista na via de direção única.

Forma-Mercadoria é espaço privilegiado para se pensar em Marx, no Marxismo e na produção simbólica (artes visuais, cinema, arquitetura, urbanismo, literatura etc). Pensar na legitimidade do pensamento de Marx e dos marxismo(s) para se pensar a produção simbólica é seguir a contracorrente e trilhar os caminhos árduos de se apoiar nas teses de Benjamin sobre o conceito de História como a tentativa de nos desvencilharmos do nosso passado de dano. A aquilatação da produção artística sempre se deu como lugar legitimado pelo consumo intelectual ou fetichista, ligado ao objeto, de elite. As teorias da vanguarda passaram quase sempre a significar a manutenção de um status social outro, diferenciado da massa que não possuía cultura. O problema da divisão de classes foi tão grande que transformou a vanguarda antiburguesa em produto de consumo da burguesia; se houve uma consciência intelectual sabiamente formada e consciente da transformação pregada pela bandeira vanguardeira, uma revolução que não é ocioso dizer formaria um novo homem; transformou-se no seu oposto.

Apesar dos movimentos de globalização, a sensação de impostura nunca esteve tão presente no momento em que estamos atrelados a uma série de compromissos que não nos pertencem ou pertencem? Parece que a intelligentsia brasileira decretou sua morte quando subsumiu a inevitabilidade da modernização como elemento inescapável da constituição de uma sociedade democrática de massas pela via capitalista. A socialdemocracia é ao mesmo tempo o moribundo e o coveiro da democracia atual como realização de sonhos de consumo, baseada na minoração das desigualdades sociais. O modelo Escandinávia é ilusório, pois a periferia o sustenta seja direta ou indiretamente. Somos da periferia da divisão internacional do trabalho, com nossa soja e nosso gado; o resto, importamos.

A revista Forma-Mercadoria fala a partir da periferia como parte integrante do contexto global. A partir do lugar onde a regra sempre foi o estado de exceção que agora se expande como novo padrão mundial e se expressa, entre outras coisas, pelo aparente paradoxo da progressiva perda de direitos individuais e sociais combinada a guerras que carregam os direitos humanos como bandeira. Mas o embrutecimento do resto do mundo não nos torna melhores, seguimos com concentração de renda, execuções sumárias e toda sorte de barbáries. Não nos iludimos com Estados emergentes, BRICS e assemelhados. Nossa pretensão é: queremos debater e reflexionar as bases para fundação do socialismo do Século XXI na esteira de experiências bem-sucedidas e das que estão por vir. Na produção simbólica e nas artes reclamamos a possibilidade de legitimação da via interpretativa marxista no solo árido legado pelas ideologias contemporâneas, queremos retomar distância do meio inóspito à toda teoria que não espelhe o senso imbecil da relação entre arte e riqueza monetária ou da arte como status social privilegiado.

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